Honestamente? Se não fosse por X-Men - O Filme, o cinema que a gente conhece hoje simplesmente não existiria. Sem exagero. Pode esquecer o multiverso, os bilhões da Marvel e até o Batman do Nolan. Em 2000, o cenário era um deserto. Batman & Robin tinha quase matado o gênero três anos antes com mamilos no uniforme e piadas de gelo de gosto duvidoso. O público achava que herói era coisa de criança ou de gente fantasiada com lycra brilhante em desfiles de carnaval.
Aí veio Bryan Singer.
Ele entregou um filme sério. Cinzento. Político. Muita gente reclamou na época (e ainda reclama) do couro preto em vez do amarelo clássico. Mas, olha, foi essa sobriedade que convenceu os executivos de Hollywood que mutantes poderiam gerar dinheiro de verdade com adultos na plateia. A Fox não tinha ideia da mina de ouro que tinha nas mãos. Tanto que o orçamento foi apertado, apenas 75 milhões de dólares, o que é troco de pão para os padrões de hoje.
O elenco que mudou tudo (e o "erro" que virou acerto)
A escalação foi um caos total. Patrick Stewart já era o Professor Xavier na cabeça de todo fã por causa de Star Trek, então ali foi fácil. O problema era o Logan. Muita gente não lembra, mas o papel era do Dougray Scott. Ele só não fez o filme porque as filmagens de Missão Impossível 2 atrasaram.
Sorte a nossa.
Entra Hugh Jackman. Um australiano alto demais, desconhecido e que parecia "bonzinho" demais para o carcaju ranzinza. Ele provou que todo mundo estava errado. Jackman trouxe uma vulnerabilidade pro Wolverine que ancorou a franquia por 17 anos até Logan. Mas não foi só ele. Ian McKellen como Magneto trouxe um peso shakespeariano para um vilão que, nos quadrinhos, às vezes era só um cara gritando sobre superioridade. A dinâmica entre ele e Xavier é o coração pulsante de X-Men - O Filme. É um debate filosófico entre Martin Luther King Jr. e Malcolm X mascarado de filme de ação.
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Isso é o que os filmes atuais às vezes esquecem: o conflito de ideias.
A Tempestade da Halle Berry sofreu um pouco com o roteiro, é verdade. Aquele sotaque que sumiu no meio do filme e a frase infame sobre o raio e o sapo ainda doem. Mas a presença dela ali era necessária. O filme precisava de rostos conhecidos para vender o conceito de que mutantes eram pessoas, não monstros de CGI.
Por que a cena de abertura na Polônia ainda assusta
A primeira cena de X-Men - O Filme não tem explosões coloridas. Ela tem chuva, lama e arame farpado. Ver o jovem Erik Lehnsherr ser separado dos pais em um campo de concentração nazista em 1944 foi um choque térmico.
Ninguém esperava o Holocausto em um filme da Marvel.
Ali, o filme estabeleceu que o preconceito era o vilão real. O senador Kelly, interpretado por Bruce Davison, era o rosto dessa intolerância burocrática. Ele não queria destruir o mundo com um raio laser; ele queria "registrar" pessoas diferentes. Soa familiar? Pois é. O filme de 2000 é muito mais sobre direitos civis e o medo do "outro" do que sobre salvar o mundo de uma ameaça alienígena.
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Isso deu ao gênero uma dignidade que ele nunca tinha tido no cinema. Kevin Feige, que hoje comanda a Marvel, era apenas um produtor associado nesse set. Ele aprendeu ali que o segredo não é o super-poder, mas a humanidade por trás dele. Sem a cena da Polônia, não teríamos a profundidade emocional que permitiu ao público chorar em Vingadores: Ultimato.
O problema do couro preto e o orçamento curto
Muita gente olha para trás e acha o visual datado. "Onde estão os uniformes azuis e amarelos?" pergunta o fã purista. A resposta é simples: dinheiro e medo. No final dos anos 90, a estética Matrix dominava tudo. O couro preto era "cool". O amarelo era considerado "brega" pelos produtores que tinham pavor de parecerem infantis.
O próprio Ciclope faz uma piada sobre isso no jato: "O que você prefere? Lycra amarela?".
Além disso, os efeitos visuais de X-Men - O Filme mostram a idade em alguns pontos. A luta na Estátua da Liberdade é icônica, mas você consegue ver as limitações técnicas da época. O Groxo pulando, a língua de CGI... Kinda estranho hoje em dia, né? Mas na época, ver o Wolverine desembainhar as garras de metal com aquele som metálico perfeito era de explodir a cabeça.
Curiosidades que quase ninguém comenta
- O teste de Hugh Jackman: Ele fez o teste com o cabelo todo bagunçado e foi escalado de última hora, chegando no set quando as filmagens já tinham começado há semanas.
- Stan Lee: Foi aqui que começou a tradição dos cameos em massa. Ele aparece como um vendedor de cachorro-quente na praia quando o Senador Kelly emerge da água.
- James Marsden: O ator que fez o Ciclope tinha que usar plataformas nos sapatos porque ele é bem mais baixo que o Hugh Jackman, e o Ciclope precisava parecer o líder imponente.
- Maquiagem da Mística: Rebecca Romijn passava cerca de 9 horas por dia sendo pintada. Eram placas de silicone coladas diretamente na pele. Ela não podia beber álcool ou passar creme nos dias de gravação porque a química da pele mudava e a cola soltava.
O roteiro passou por tantas mãos que é um milagre ter ficado bom. Joss Whedon (que depois dirigiu Vingadores) escreveu uma versão, mas apenas duas falas dele restaram no corte final. É um processo criativo caótico que resultou em algo coeso.
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O impacto cultural a longo prazo
X-Men - O Filme não foi apenas um sucesso de bilheteria; ele foi um validador. Ele provou que você podia tratar temas como evolução, discriminação e ética médica dentro de um blockbuster de verão. Ele abriu caminho para o Homem-Aranha de Sam Raimi em 2002.
A Fox percebeu que tinha uma franquia que poderia durar décadas. E durou. Foram quase 20 anos de filmes sob essa mesma continuidade, com altos e baixos, claro. Mas o DNA estava todo ali naquele primeiro encontro na estação de trem em Alberta. A relação de "pai e filha" entre Logan e Vampira (Anna Paquin) deu ao público um ponto de entrada emocional. Não era sobre o grupo, era sobre encontrar um lugar onde você não é um monstro.
Hoje, com os mutantes prestes a entrar no MCU de forma definitiva, olhar para o filme de 2000 é essencial. Ele nos lembra que o espetáculo deve sempre vir depois da história. Se você tirar os poderes, a trama ainda funciona? Em X-Men - O Filme, a resposta é um sim absoluto.
O que fazer agora para revisitar esse clássico
Para quem quer entender a fundo a importância desse filme ou está se preparando para as novas versões da Marvel Studios, aqui estão alguns passos práticos para consumir esse conteúdo com um novo olhar:
- Assista focado na trilha sonora: Michael Kamen fez um trabalho subestimado. Repare como o tema principal não é heróico, mas tenso e misterioso.
- Compare com o desenho de 92: Veja como o filme traduziu a personalidade do Magneto. Enquanto no desenho ele é quase um vilão de ópera, no filme de 2000 ele é um sobrevivente traumático. Isso muda toda a percepção das ações dele.
- Analise a fotografia: Observe como o diretor usa reflexos e sombras para esconder o que o orçamento não conseguia mostrar. É uma aula de como filmar ficção científica com pouco recurso.
- Verifique os extras: Se tiver acesso ao Blu-ray ou versões especiais em streaming, procure os testes de cena. Ver o Hugh Jackman tentando achar o tom do Wolverine sem a maquiagem completa é fascinante para quem gosta de atuação.
Não é só nostalgia. É história do cinema. X-Men - O Filme foi o primeiro passo de um caminho que mudou a cultura pop para sempre. Sem ele, o cinema de hoje seria um lugar muito mais vazio e, certamente, muito menos "super".