Se você acordou hoje e correu para o Google para ver o preço do dólar no Brasil hoje, provavelmente deu de cara com aquele número frio piscando na tela: R$ 5,37. Mas, honestamente? Esse número sozinho não diz quase nada. O dólar comercial, que é esse que aparece nos grandes portais, é meio que uma ilusão para quem está planejando uma viagem ou querendo comprar um iPhone novo.
Muita gente se perde achando que vai pagar o valor que vê no "Dólar Hoje". Não vai.
A verdade é que o câmbio no Brasil virou um bicho de sete cabeças no começo de 2026. Estamos vindo de um 2024 traumático, onde a moeda bateu recordes históricos de R$ 6,75, e agora parece que o mercado deu uma sossegada. Mas é aquela paz de quem está no olho do furacão.
Por que o dólar parou na casa dos R$ 5,37?
Basicamente, o que está segurando o real agora é o que os economistas chamam de carry trade. O nome é chique, mas a lógica é simples: os juros no Brasil estão nas alturas. Com a Selic batendo 15% ao ano, o investidor estrangeiro olha para o Brasil e pensa: "Putz, compensa correr o risco e colocar dinheiro lá para render esse absurdo". Isso faz entrar dólar no país.
Quando tem muito dólar circulando na praça, o preço cai. É a lei da oferta e demanda que você aprendeu na escola, só que com bilhões de dólares em jogo.
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Mas ó, tem um detalhe. O Boletim Focus desta semana, que é tipo o "termômetro" do Banco Central com os grandes bancos, mostra que ninguém acredita que o dólar vai despencar muito mais. A projeção mediana para o final de 2026 está cravada em R$ 5,50. Ou seja, esse fôlego atual pode ser passageiro.
O abismo entre o comercial e o turismo
Aqui é onde o calo aperta para o brasileiro comum. Hoje, enquanto o dólar comercial flutua perto de R$ 5,37, se você for numa casa de câmbio no shopping, vai encontrar o dólar turismo sendo vendido por R$ 5,58 ou até mais.
Essa diferença acontece porque no turismo você paga a logística física da nota e, claro, o IOF.
Se você usar o cartão de crédito internacional, a facada é maior ainda. O imposto sobre operações financeiras (IOF) e o spread do banco podem fazer o seu dólar sair por quase R$ 6,00. É por isso que muita gente tem migrado para contas globais como Nomad ou Wise, que usam o comercial como base e cobram taxas menores. Vale a pena pesquisar, sério.
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O que realmente mexe no preço do dólar no Brasil hoje
Não é só o que acontece em Brasília. O mercado de câmbio é uma mistura de política interna com o humor dos Estados Unidos.
- Juros nos EUA: Se o Federal Reserve (o BC deles) decide manter os juros altos, o dólar se fortalece no mundo todo. O dinheiro foge dos países emergentes como o Brasil e volta para a segurança dos títulos americanos.
- Fiscal brasileiro: O mercado é paranoico com as contas do governo. Se rola qualquer boato de que o governo vai gastar mais do que arrecada, o investidor gringo tira o time de campo. O dólar sobe na hora.
- Commodities: O Brasil exporta muita soja e minério de ferro. Quando o preço dessas coisas sobe lá fora, entra mais dólar aqui. Isso ajuda a valorizar o real.
Honestamente, é um equilíbrio muito frágil. Qualquer espirro no Congresso Nacional ou uma fala mal interpretada em Washington faz o gráfico do Google dar aquele salto que assusta todo mundo.
A inflação e o seu bolso
Você já reparou que, quando o dólar sobe, o pãozinho na padaria aumenta na semana seguinte? Pois é. Grande parte do trigo que consumimos é importada. O combustível também segue preços internacionais.
O Banco Central está lutando para manter a inflação (IPCA) dentro da meta, que agora é contínua e gira em torno de 3%. O mercado projeta que 2026 termine com inflação em 4,05%. Parece pouco, mas com o dólar instável, essa meta pode ir para o espaço rapidinho. O dólar alto é, essencialmente, exportar inflação para dentro da nossa casa.
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O que você deve fazer agora?
Se você tem dívidas em dólar ou está planejando sair do país, a estratégia não pode ser "esperar baixar para R$ 4,00". Spoiler: as chances disso acontecer agora são mínimas.
O mercado está trabalhando com uma estabilidade relativa, mas "estabilidade" no Brasil significa flutuar entre R$ 5,30 e R$ 5,60. Não espere milagres.
Dicas práticas para lidar com o câmbio atual:
- Não compre tudo de uma vez: Se você vai viajar em julho, comece a comprar pequenas quantias de dólar todo mês. Assim, você faz um "preço médio". Se o dólar subir, você já tem uma parte garantida. Se cair, você compra mais barato depois.
- Cuidado com o cartão de crédito: O dólar do cartão é fechado no dia da compra na maioria dos bancos, mas o IOF de 4,3% (em 2026 a alíquota está em transição de queda, mas ainda dói) é um custo que você não recupera.
- Acompanhe o Boletim Focus: Ele sai toda segunda-feira de manhã. É a melhor forma de saber o que os "donos do dinheiro" estão pensando para os próximos meses.
A cotação de R$ 5,37 que vemos agora reflete um Brasil que, apesar dos problemas fiscais, ainda atrai capital por causa dos juros altos. É um cenário de "vencer pelo cansaço". O real está forte não porque a economia está voando, mas porque o custo de apostar contra o Brasil está caro demais para os especuladores.
Entender o preço do dólar no Brasil hoje exige olhar além da cotação do minuto. É preciso entender que a moeda americana é o refúgio do mundo. Enquanto houver incerteza global, ela continuará sendo o ativo mais desejado, e o real continuará sendo essa moeda que a gente ama odiar.
Passos práticos para sua proteção financeira
- Diversifique seu patrimônio: Considere manter uma pequena parte das suas economias em ativos dolarizados ou fundos cambiais.
- Use aplicativos de comparação: Antes de trocar dinheiro em espécie, use sites que comparam taxas de corretoras em tempo real para evitar taxas abusivas.
- Reveja seus custos de importação: Se você empreende, tente negociar contratos com base no câmbio médio ou use instrumentos de hedge (proteção) oferecidos por bancos para evitar surpresas no fluxo de caixa.