Como surgem os fake news: A verdade por trás da mentira que você acabou de compartilhar

Como surgem os fake news: A verdade por trás da mentira que você acabou de compartilhar

Você já parou para pensar por que aquela notícia bizarra sobre um político ou uma cura milagrosa sempre chega no grupo da família com "encaminhada com frequência"? É bizarro. Honestamente, a gente vive mergulhado em informação, mas pouca gente entende de onde vem o lixo digital. Como surgem os fake news não é um mistério sobrenatural, mas uma mistura de malícia, algoritmos viciados e a nossa própria vontade de acreditar em mentiras confortáveis.

A desinformação não brota do nada. Ela é fabricada. Existe uma engenharia pesada por trás de cada boato que explode no seu feed.

O nascimento de uma mentira: Onde tudo começa?

Basicamente, o processo começa com um objetivo claro. Ninguém cria uma notícia falsa "só por diversão" — bom, quase ninguém. Na maioria das vezes, o ponto de partida é o lucro ou o poder. Dinheiro e política. É o que move a máquina.

Existem as chamadas "fazendas de cliques". Imagine um galpão, ou apenas uma sala com dez computadores, onde pessoas são pagas para inventar manchetes absurdas. Elas buscam o que chamamos de clickbait. Se eu escrever que "o preço do arroz vai dobrar amanhã", pouca gente liga. Mas se eu disser que "Governo proíbe venda de arroz para estocar em bunkers secretos", o clique é garantido.

Esses sites são criados em minutos. Eles usam nomes que parecem portais de notícias sérios, tipo "Folha Política" ou "Diário da Cidade", apenas para confundir o leitor desatento. Eles pegam um fato real — por exemplo, uma variação mínima no estoque de grãos — e distorcem até virar um monstro irreconhecível. É assim que a maioria de como surgem os fake news ganha vida: uma semente de verdade enterrada em um solo de mentiras puras.

O papel cruel dos algoritmos e a "Bolha de Filtro"

As redes sociais não são neutras. Elas querem que você fique logado. O tempo todo.

Para isso, o algoritmo do Facebook, do Instagram ou do X (antigo Twitter) mostra o que você quer ver. Se você gosta de teorias da conspiração sobre alienígenas, o sistema vai te entregar mais disso. Se você odeia um partido político específico, o algoritmo vai te bombardear com notícias negativas sobre ele, sem checar se são verdadeiras.

Isso cria o que o acadêmico Eli Pariser chamou de "Bolha de Filtro". Você para de ver o contraditório. Quando uma notícia falsa entra nessa bolha, ela se espalha como fogo em palha seca porque ninguém ali dentro vai contestar. Pelo contrário, as pessoas sentem uma recompensa emocional ao compartilhar algo que confirma o que elas já pensam. É o viés de confirmação agindo no cérebro. É químico. É biológico.

📖 Related: Installing a Push Button Start Kit: What You Need to Know Before Tearing Your Dash Apart

A economia da atenção

Cada vez que você clica em um link de fake news, alguém ganha dinheiro com anúncios. O Google AdSense ou outras redes de publicidade pagam por visualização.

Para esses sites, a ética não importa. O que importa é o volume.

Muitas vezes, a notícia é gerada por inteligência artificial agora. Robôs programados para monitorar as tendências de busca do Google e criar textos automáticos que respondam a essas dúvidas, mesmo que a resposta seja inventada. A tecnologia facilitou o processo. Antes, você precisava de um redator criativo. Hoje, você precisa de um prompt bem feito e um servidor barato em um país com pouca regulação.

As motivações políticas e as milícias digitais

Nem tudo é dinheiro. Muita coisa é ideologia pura e simples.

Estratégistas como Steve Bannon mostraram ao mundo como usar o Big Data para segmentar eleitores e atacá-los com desinformação cirúrgica. No Brasil, o fenômeno das "milícias digitais" é investigado justamente por entender como surgem os fake news dentro de esquemas organizados de poder.

Eles não criam apenas uma notícia. Eles criam uma narrativa.

  1. Primeiro, eles identificam um medo da população (ex: segurança pública, valores morais).
  2. Depois, criam um inimigo comum.
  3. Em seguida, espalham boatos curtos, fáceis de ler, geralmente em formato de imagem ou áudio de WhatsApp.
  4. Por fim, usam robôs (bots) para dar volume. Se dez mil pessoas estão falando sobre isso, deve ser verdade, certo? Errado.

É um efeito de manada artificial. A gente vê muita gente comentando e o nosso cérebro entende que aquilo é relevante. É uma falha cognitiva que os criadores de fake news exploram com maestria.

👉 See also: Maya How to Mirror: What Most People Get Wrong

O WhatsApp: O buraco negro da informação

O WhatsApp é o terreno mais fértil para a desinformação no Brasil. Por ser criptografado, ninguém sabe o que circula lá dentro, a menos que esteja no grupo.

Diferente do Facebook, onde um post pode ser denunciado e marcado como "falso" por agências de checagem como a Lupa ou o Aos Fatos, o WhatsApp é um ambiente privado. É o "ouvi dizer" digital.

A estrutura do aplicativo favorece o anonimato. Você recebe um texto copiado e colado. Não tem link. Não tem autor. Só tem uma mensagem urgente pedindo para você "repassar para o máximo de pessoas possível". Esse senso de urgência é um gatilho clássico. "Urgente", "Cuidado", "O que a mídia não te conta". Se você ler isso, desconfie na hora. É o DNA de como surgem os fake news.

Deepfakes: A nova fronteira do perigo

Se antes a gente se preocupava com textos mal escritos, agora o problema são os vídeos.

A inteligência artificial evoluiu a um ponto onde é possível criar um vídeo de qualquer líder mundial dizendo qualquer coisa. O áudio é perfeito. A imagem é convincente. Isso é o deepfake.

Imagine um vídeo de um candidato confessando um crime na véspera da eleição. Até que a perícia prove que é falso, a eleição já acabou. O dano é irreversível. O pesquisador Sam Gregory, da organização Witness, alerta que o problema não é só a mentira em si, mas o fato de que, agora, as pessoas podem alegar que vídeos reais são falsos. É o "dividendo do mentiroso". A verdade perde o valor de face.

Por que a gente cai tanto?

Ninguém é imune. Nem quem tem doutorado.

✨ Don't miss: Why the iPhone 7 Red iPhone 7 Special Edition Still Hits Different Today

A fake news não ataca a sua lógica; ela ataca a sua emoção. Ela te deixa com raiva, com medo ou com esperança. Quando você está sob forte emoção, a parte do seu cérebro responsável pelo pensamento crítico — o córtex pré-frontal — meio que "desliga". Você reage. Você compartilha.

É uma validação social. Você quer ser a pessoa que "avisou" o grupo. Você quer ser o primeiro a saber. Essa vaidade digital é o combustível que mantém a máquina de como surgem os fake news girando sem parar.

Como identificar e parar a propagação

Não dá para esperar que as grandes empresas de tecnologia resolvam tudo. A responsabilidade é, em grande parte, nossa.

Checar uma informação dá trabalho. É chato. Mas é necessário.

  • Olhe a URL: O site termina em ".com.co" ou tem um nome estranho? Fuja.
  • Leia além da manchete: Muitas vezes o texto diz o contrário do título chamativo.
  • Jogue no Google: Se a notícia é tão bombástica, por que nenhum jornal grande deu? G1, BBC, CNN, Estadão... se nenhum deles mencionou, 99% de chance de ser mentira.
  • Data é fundamental: Muitas fake news são notícias reais de 5 anos atrás sendo compartilhadas como se fossem de hoje.
  • Cuidado com áudios: Qualquer um pode gravar um áudio dizendo que é "diretor de um hospital" ou "assessor de um ministro". Sem rosto, sem prova, sem crédito.

Próximos passos práticos para você

Entender como surgem os fake news é o primeiro passo para não ser feito de bobo. A partir de agora, adote uma postura de ceticismo saudável.

Sempre que receber uma notícia impactante, respire fundo antes de clicar em "compartilhar". Pergunte-se: "Quem ganha com isso?".

Instale extensões de checagem no seu navegador e siga agências de fact-checking nas redes sociais. Elas fazem o trabalho pesado de investigar a origem dos boatos. Se você recebeu algo duvidoso, não apenas ignore — avise a pessoa que te enviou que aquilo é falso. Quebre a corrente. A desinformação só sobrevive se encontrar hospedeiros dispostos a passá-la adiante.

Seja o fim da linha para a mentira. Proteja o seu círculo social e, acima de tudo, a sua própria sanidade mental nesse mar de dados distorcidos.